terça-feira, 17 de novembro de 2009

Maitê Proença CP

O vídeo sobre Portugal, infelizmente revela uma faceta, que nós os portugueses desconhecíamos. Devo dizer que o que o torna tão “explosivo” não são os factos isolados, mas o que eles representam no seu todo.Desde sempre que ouvi os brasileiros dizer que os portugueses eram pouco dotados de inteligência, tinham uma dicção difícil e por isso são alvo de piadas, mais ou menos ao estilo dos galegos. Eu nunca me senti incomodada, apenas um pouco estranha por não me rever em nada, como individuo e como povo, nesse estereótipo. Apesar de tudo sempre considerei Portugal e Brasil como países irmãos.Mas quando a Maitê usa cenários para o seu vídeo, como Sintra e Jerónimos, não está a evocar coisas do passado, pois todos assistimos recentemente, neste espaço, à assinatura do tratado de Lisboa que será a futura Constituição da União Europeia. A própria adesão de Portugal à UE foi assinada neste monumento. Nestes locais continua-se a escrever a história contemporânea da humanidade pelo que têm uma força muito grande no nosso orgulho nacional. Também os túmulos de Luís Vaz de Camões, de Fernando Pessoa e de Vasco da Gama são de enorme importância, sobretudo para a Lusofonia que extravasa as fronteiras do nosso país. Uma pessoa como a Maitê devia ter toda a percepção de como a estética é importante sobretudo encontrando-se num local como este. A linguagem não verbal tem a sua própria leitura e meios para se expressar. E na sua linguagem eu li desprezo, displicência e pouco refinamento.Quando fala de Salazar, não pensou que é uma figura que ainda marca muito a memória dos portugueses, uma vez que grande parte da população actual ainda viveu sobre a sua égide. Os 40 anos de ditadura para Portugal ainda são um assunto muito sensível. Embora sejamos um povo democrático, notamos nos políticos actuais uma falta de ética e seriedade que algumas pessoas não reconhecem no antigo regime. Suponho que não há regime perfeito mas a Democracia continua a ser o melhor de todos. De forma que não somos salazarentos, mas gostávamos de ter políticos, sérios, mais segurança pública e mais justiça social.

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